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Não vou escrever sobre pessoas, gastronomias ou de “in’s” ou “out’s”. Aliás, o viajar está cada vez mais no poder de se transportar na mente para além do que é repetitivo e pouco criativo. O facto de cada vez mais se estar a tornar tudo democratizado já irrita; democratizar não significa imitar, copiar ou banalizar. Porém, a minha pessoa na maior parte das vezes acaba por ser cúmplice desta malfadada história do democratizar… Creio que, nós os humanos, estamos a transformar um bem precioso num pesadelo mercantil sem método. Tontos!!!

Resta-me, então, escrever sobre os lugares cujos humanos não têm qualquer interferência. Bom, talvez esteja a exceder-me!

Existem de facto lugares no nosso planeta que, embora seja ele a dar as ferramentas, o ser humano as utiliza de uma forma criativa. Entre esses lugares está Manhattan na cidade de Nova Iorque. A primeira impressão é de um distrito bem construído; a arquitetura dos seus edifícios, matéria-prima e a sua tipologia são atraentes e confortáveis. Diria que é um distrito “easy-way” mas, esteticamente charmoso e singular. Contudo, o pulsar ímpar da criatividade dos anos 60 a 80 do século XX já não existe. Em seu lugar encontramos uma cidade “mac-fast” e, parte dos seus habitantes não faz jus ao sítio em que habitam.

El Salvador, um pais designado de terceiro mundo. (Tenho dificuldade em entender o porquê de o ser humano ter a mania de criar rótulos seja para o que for. Não será ele o próprio a beber do seu próprio veneno?) A sua capital San Salvador é vibrante, colorida, fervorosa e enigmática. Lobriga-se uma perigosidade magnética, uma particularidade que me atrai nas cidades. Por detrás desse pormenor está sempre uma historia que cuja origem nunca deriva dos seus habitantes. No culminar destas particularidades encontra-se no cume da cidade e majestaticamente situado o vulcão San Salvador. É como que vigiasse e protegesse os filhos desta terra magnífica, de rostos com um olhar ávido de sobrevivência e ao mesmo tempo de uma tristeza oculta.

Honduras, pais contíguo a El Salvador, ambos similares ao nível sociocultural e económico. Todavia, geograficamente as Honduras beneficiam de ter costas viradas para o Oceano Pacifico e Mar das Antilhas / Oceano Atlântico. É concretamente neste ultimo que, se situa a belíssima Ilha de Roatan. Situada na segunda maior barreira de coral do mundo iniciando-se desde as costas do México, Belize e tendo o seu fim na costa Hondurenha.
Roatan é sinónimo de pacificidade. Os cinco sentidos depuram-se, abrindo caminho a que o sexto sentido impere na sua plenitude. O olhar fixa-se num infinito horizonte cuja tela é o mar, sereno, imaculado, honesto, tal como a vida deve de ser. As casas como suspensas sobre o mar, criam nas mentes imagens dos seus antepassados; piratas astutos navegando nos seus exuberantes galeões, dos quais os seus tesouros não eram as arcas plenas de preciosidades, mas sim o sentir da opulência divinal desta pequena ilha.
Mergulhar no seu mar vislumbra-me o acreditar que viajar é mais que andar por terras, povos, culturas e tudo o resto em que o ser humano de uma forma ou de outra o faz banalizar. É simplesmente o conhecimento de algo sublime. Algo que nos foi oferecido sem palavras feitas. Sem exigências…

A natureza deste planeta. Terra!

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Photos by Valentim

Music by Ltj Bukem – Journey Inwards – Close To The Source